Isabella, 17, São Paulo.

moço tu és universo

esses teus olhos são estrelas que me guiam para teus braços, sua boca é buraco negro que me puxa para você, tua cara de sono é como o seu céu estrelado, que não me canso de ver, teu corpo é galáxia, e tua alma universo no qual eu quero me perder.

quero que você se liberte

mas não quero te compartilhar
não, eu não quero que você parta
mas já está na hora de fazer isso
não posso mais te culpar
and i still love you

(devendra banhart)

Minha insônia têm seu nome

Você invade as minhas pálpebras, sua voz ecoa no quarto. Mantém meus olhos abertos, não me deixa dormir.

H.

"Cruzes! Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia. Como assim? Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.”
Quem é você, Alasca? 

Marcelo

Eu não sei a cor dos seus olhos. Ana chegou a comentar comigo que possuíam a cor do mar, em seu nível mais fundo, mas não tenho certeza se combinariam com você. Talvez, um verde em sua áurea mais selvagem lhe cairia tão bem, quanto uma luva em uma mão no dia mais frio do ano. Eu, particularmente, preferia que fossem verdes, assim combinariam com seus cabelos negros da cor do carvão. Para ser bem sincera, Marcelo, eu quase te perguntei, umas cinco ou seis vezes, em meio a baforadas de cigarro e garrafas de vodka, mas então tu te viravas e fixavas esse olhar, com lente castanha, em mim e eu perdia a coragem. A minha curiosidade se exauria, assim como minha pergunta era engolida, junto com a saliva que tentava aplainar o seco da minha boca. Nossos silêncios foram longos e ininterruptos, mas falaram aquilo que cem mil palavras não diriam, querido. Pouco foi dito, muito foi sentido.. Só que agora, ao cair da noite, deitada aqui, em meio a esses duros travesseiros, eu penso nos seus olhos, não no olhar em si (esse que fazia com que eu me sentisse poeirinha cósmica), mas na cor que eles possuem e me arrependo de ter deixado de te perguntar. Essa questão está me consumindo: eu te amo, Marcelo, mas não sei a cor dos seus olhos, só a intensidade desse teu olhar. Isso já deveria bastar, eu sei, mas sozinha na madrugada, enquanto rolo por essa cama vazia, não posso construir um rosto sem pigmentação nos olhos e eu também não quero inventar uma. Talvez eu devesse comprar um maço de cigarros e mais umas garrafas de john walker, porque jack daniel’s já enjoei, e te chamar para conversar, só para eu poder focalizar seus olhos, sem lentes de contato, e admira-los durante noites a fio. Sem conversas ou olhares: quero uma noite só para admirar seus olhos e poder sonhar com eles, comparando-os com matas verdes (quiçá), enquanto me reviro na cama tentando esquecer tua imagem.

Bilhete a Marcelo
esse alguém do qual eu nunca esqueci os olhos.

o que faço com a saudade?

tem dia que faço besteira,

tem dias que faço caipirinha,
depende muito…
hoje fiz brigadeiro.

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